“A violência psicológica leva à morte”, afirmou Adelício Paranhos, do Sindicato“Enfrentamos, diariamente, essa questão de violência contra os nossos servidores”, disse Adelício Paranhos, do Sindicato dos Servidores Públicos de Monte Mor (Sindsmor).
A declaração foi emitida durante a audiência pública da Comissão de Meio Ambiente, Educação, Cultura e Outros Assuntos (CMA), realizada nesta terça-feira (11).
O sindicalista citou um “aumento alarmante e inegável nos casos de violência no ambiente de trabalho”, nos últimos dois anos, em “gêneros e setores específicos” da administração.
Ainda segundo ele, 98% das vítimas de violência no ambiente de trabalho no município são mulheres. “É um dado brutal”, salientou.
A área da Educação lidera o ranking, seguida pela Saúde, disse Paranhos.
“São, justamente, as profissionais que cuidam do futuro dos nossos filhos e da vida das nossas famílias que estão adoecendo e trabalhando com medo”, afirmou.
Violências
Ainda conforme o dirigente sindical, diversos casos de violência física e psicológica são acompanhados pelo Sindsmor.
Paranhos também destacou que os dados do município são “assustadores”, e mencionou:
✔︎ 5 denúncias de agressão física contra profissionais da enfermagem, em postos de saúde;
✔︎ cerca de 30 denúncias de violência psicológica, “o famoso assédio moral”, que teria sido cometido por “integrantes da gestão” municipal;
✔︎ e dois “casos complexos” de violência psicológica na Educação, com mais de 35 vítimas.
Sobre o último caso, Paranhos disse que o prefeito teria feito reuniões e dado os devidos “encaminhamentos necessários para cessar esse lamentável absurdo”.
“A violência nem sempre vem só da população”, relatou, denunciando a ocorrência de um verdadeiro “assédio moral institucionalizado”, praticado por gestores, a partir de abusos.
Sobre a Câmara, ele disse que “pelo menos quatro casos” foram denunciados em dois anos, e o mais recente, há 60 dias, foi alvo de “ato de gestão exemplar” da Presidência, para solução.
“A violência psicológica leva à morte”, afirmou, citando suicídios ocorridos. “Quem atende o público merece respeito, quem cuida da cidade precisa de proteção”, completou.
Prevenção
Representantes do Poder Executivo presentes na audiência pública comentaram o assunto.
A procuradora Letícia Pagotto disse que o município tem discutido o problema na Secretaria de Saúde e no Conselho Municipal de Saúde.
Ela citou o relato de cinco casos de violência, no último semestre.
“A gente precisa de soluções práticas, e a gente vem pensando nisso”, afirmou.
A profissional também relatou o apoio oferecido aos servidores, e lamentou que postagens em redes sociais tenham incentivado a violência, por exemplo.
“A Guarda Municipal reafirma o compromisso com a proteção dos profissionais de Saúde, com a segurança dos espaços públicos”, disse Denival Santana, comandante da GCM.
Segundo ele, “segurança significa, também, garantir que quem cuida da nossa população possa exercer seu trabalho com dignidade, respeito e tranquilidade”.
“Proteger o profissional de Saúde também é proteger o paciente”, afirmou a advogada Maria Inêz Ferreira, representante da OAB Capivari.
Ela salientou que “a violência não pode fazer parte da rotina de trabalho de ninguém”.
O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Ricardo Lombardo, repudiou a prática de violência contra os servidores, e defendeu campanhas de conscientização.